domingo, 14 de março de 2010

Idéias sobre Inclusão e a Educação Física


Segue abaixo a sistematização e análise dos textos disponibilizados no Curso de Formação Continuada em Atividades Práticas para Pessoas com Deficiência pela UFJF


Concepções Histórico-Filosóficas de corpo

O corpo e alma desde a antiguidade sempre foram vistos como objetos separados. O planejamento escolar muitas vezes é também realizado sem levar em conta a concreticidade dos alunos e são pensados a cerca das necessidades das séries, ou seja, planeja-se para um mundo imaginário e conseqüentemente há um distanciamento entre o que se ensina na escola e a realidade do aluno.
É importante compreendermos que as questões históricas e filosóficas refletem diretamente na prática social e pedagógica do professor, levando em conta os valores históricos que acredita e defende, como se relaciona com os outros e como ele utiliza o poder do conhecimento.
Por essa razão não basta apenas investir em formação continuada conteudista. É preciso fazer com que os professores superem valores e crenças arraigados, mudando significativamente a forma de ver e relacionar com o Outro, e o entendimento dessa relação somente é possível se o professor tiver clareza sobre qual é sua concepção de diferença.

Entendimentos de diferença

A idéia de diferença entre os seres humanos tem comprometido as ações políticas que tentam reparar as desigualdades e as injustiças sociais de cada época. As pessoas com deficiência historicamente eram entendidos como “não ser” apesar de sua existência.
O entendimento de diferença surge com a ciência moderna que possibilitou comprovar as diversas distinções físicas, biológicas e psicológicas dos seres humanos. A nova concepção de diferença visa a superação da razão como a única forma de se chegar a verdade.

Entendimento de Inclusão

Falar sobre a inclusão pressupõe refletir sobre a exclusão. O despertar da inclusão surge em meados dos anos 90. A inclusão pode ser vista sob 3 perspectivas:
A primeira defende a presença de todos com todos, e busca a normalização pela igualdade a partir de um forte apelo sentimental.
A segunda que vê a educação como direito de todos e dever do estado. Trabalha com o princípio da diferença, ou seja incluídos e excluídos são vistos como iguais desaparecendo a diferença na diferença, predominando a igualdade na diferença.
A terceira utiliza a dialética como método em todas as análises realizadas. Advoga a unidade na diversidade, a igualdade na diferença e o específico no geral.

Entendimento de Jogo e Esporte


A primeira concepção histórica a respeito dos movimentos trata o movimento humano como atividade física, chegando às vezes a se constituir em um hábito corporal. Seus conteúdos serviram para preparar os homens para diferentes tipos de relações: guerras, rituais e sacrifícios religiosos, festas e, principalmente no mundo oriental, como forma de auto-conhecimento e domínio do próprio corpo.
O jogo e o esporte formam um todo de uma mesma relação, isto é , o componente essencial do esporte e do jogo, é a relação agonística sem a qual nem o jogo nem o esporte podem ser realizados. Tanto no jogo como no esporte a competição é fator principal, o móvel dessas atividades.
Em síntese podemos afirmar que essencialmente o jogo e o esporte formam um todo indivisível. Ambos são educativos e possuem função política determinada nas relações sociais.

Dialética da Relação Teoria Prática

A Educação Física brasileira, atualmente, está passando por um dos desafios mais importantes de sua trajetória histórica, os ideários perversos da aptidão física, cederam, já há algum tempo, lugar para uma outra concepção de homem, corpo e movimento. Estamos falando da diversidade humana, das diferenças, das desigualdades. Atualmente, as PNE que tiveram acesso aos esportes atingiram um razoável estágio em termos de participação e desenvolvimento físico desportivo, não podemos em face da política de inclusão, continuar querendo ensinar os mesmos conhecimentos para todas as crianças.
Os deficientes mentais podem e devem estar no ambiente escolar comum, porém as exigências e os conhecimentos a eles atribuídos devem levar em conta sua realidade nas relações sociais. Preparar um indivíduo tendo como referência sua concreticidade ou a abstração que fazemos dele, faz muita diferença. Uma coisa é querer, que estes indivíduos façam, aprendam e tenham comportamentos similares aos das outras crianças. Outra é respeitá-los concretamente oportunizando – lhes conhecimentos e aprendizados compatíveis com suas diferenças.
Os profissionais envolvidos com a Educação Física adaptada necessitam produzir conhecimentos que tragam conseqüências e contribuam para modificar o atual quadro social em que vivem as PNEs. A contradição entre inclusão e segregação tem como principal responsável a organicidade escolar que em nada mudou para atender esses alunos considerados especiais.
A sociedade em que vivemos ao mesmo tempo em que faz o discurso virtual da igualdade entre os homens, nega radical e concretamente todo estado de deficiência humana estado de ser diferentes, de ser desigual. As pesquisas têm demonstrado que a escolarização de crianças deficientes em ambiente de classes regulares possibilita aos alunos vivenciarem um contexto de aprendizagem mais significativa e motivante, suscitando esforços de colaboração superiores aos da segregação vivenciada nas escolas especiais.
A idéia de inclusão não visa atender somente às crianças rotuladas de deficientes, mas representa um avanço nas relações estabelecidas na escola regular. Significa avanço na medida em que todos os princípios que até hoje nortearam a escola regular terão que ser revistos e superados principalmente a pesada e ultrapassada estrutura organizacional da escola.

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